Impacto · Casos · Território
Em Paquetá, uma comunidade e a metodologia do Elos cresceram juntas por mais de vinte anos.
Centro de Santos · onde o Jogo Oasis foi sistematizado pela primeira vez, em 2003, e para onde o Guerreiros Sem Armas voltou em 2026.
20+ anos
de relação com a comunidade
2003
quando o Jogo Oasis foi sistematizado aqui
113
unidades do projeto habitacional

2003
Uma praça abandonada há anos foi o primeiro sonho coletivo. Moradores e visitantes imaginaram juntos o que queriam ali, e transformaram o espaço.

Foi no Paquetá que o Elos sistematizou pela primeira vez o Jogo Oasis. O método nasceu aqui, com esta comunidade.

os jovens
As crianças que iam às reuniões a contragosto viraram um grupo que aprendeu a redigir ofícios, negociar com o poder público e sustentar as próprias propostas.

A formação ultrapassou o bairro: os jovens chegaram ao Fórum Social Mundial, e dois fizeram intercâmbio no Canadá.

as mulheres
Um grupo de mulheres transformou o que já existia no território, chita, fuxico, crochê, as cores do Mercado, em uma linha de acessórios.

As peças circularam e chegaram a compradores fora do Brasil. E, ao vendê-las, as mulheres passavam a apresentar o próprio território como referência.

a habitação
A luta por moradia que trouxe Samara ao Elos virou um projeto de 113 unidades em regime de mutirão.

A obra parou por falta de recursos. A organização comunitária, não: as famílias seguiram se reunindo, criando comissões e uma reserva coletiva.

2026
Julho de 2026: o Guerreiros Sem Armas volta ao Paquetá, mais de vinte anos depois da Praça Nagasaki.

Participantes de várias partes do Brasil e do mundo chegam ao território para viver a metodologia na prática.

Moradores e guerreiros lado a lado, no mutirão, o mesmo gesto que abriu a história aqui.

Quem volta encontra uma comunidade diferente, e sonhos que ainda não terminaram.

O Elos que retorna também não é o mesmo: parte do método que leva a outros territórios nasceu aqui.

Voltar ao Paquetá é reencontrar uma relação de mais de duas décadas.

Novas gerações no mesmo território: crianças que nasceram quando os projetos já aconteciam.

O mutirão como marco: a prova, mais uma vez, de que é possível construir junto.
O que o Elos conduziuO Elos ajudou a conectar pessoas e a reconhecer o potencial do território. Foi aqui, também, que sistematizou o Jogo Oasis.
O que a comunidade construiuA praça, o grupo de jovens, a geração de renda e a luta por moradia foram conduzidos pela própria comunidade, por mais de vinte anos.
No início dos anos 2000, Samara chegou ao Instituto Elos procurando ajuda. Havia assumido a presidência da associação de moradores do Paquetá, no centro de Santos, e queria retomar uma antiga luta por moradia. O Elos, ainda em formação, não tinha como assumir o projeto. Ela fez então um pedido mais simples: poderia voltar quando tivesse alguma dúvida?
Podia. E voltou todos os dias. “Ela tinha uma desculpa: preciso fazer um ofício, preciso fazer uma carta”, lembra Mariana Gauche. Aquela insistência juntou dois caminhos que seguiriam lado a lado pelas duas décadas seguintes.
Em 2003, o Sesc convidou o Elos para uma palestra sobre ação comunitária. A equipe propôs fazer em vez de falar. Escolheram a Praça Nagasaki, abandonada havia anos. Os moradores imaginaram juntos o espaço, montaram maquetes e transformaram a praça. Foi ali que o Elos sistematizou, pela primeira vez, o Jogo Oasis.
Vieram os grupos de juventude, de geração de renda e de moradia. Os filhos que iam às reuniões a contragosto formaram um grupo, aprenderam a escrever ofícios, treinaram ouvir os “nãos” e passaram a defender as próprias propostas. As mulheres transformaram chita, fuxico e as cores do Mercado numa linha de acessórios que chegou a vender fora do país.
A moradia foi o sonho que não coube no tempo de um projeto. A proposta de 113 unidades em mutirão avançou, mas a obra parou por falta de recursos e mudança nos programas públicos. As famílias não pararam: seguiram se reunindo, criaram comissões e uma reserva coletiva. Gente desistiu, gente morreu na espera, crianças cresceram, e o sonho ficou de pé.
Em 2023, Nai, filha de Samara e criada naquelas reuniões, assumiu a presidência da associação. Em julho de 2026, o Guerreiros Sem Armas voltou ao Paquetá e encontrou uma comunidade diferente, e um Elos diferente também: boa parte do método que a organização leva a outros lugares foi aprendida ali.
Quem viveu isso conta
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A gente foi treinada para falar, explicar, ouvir os ‘nãos’ que a gente ia ter. A gente foi preparada, na verdade.
Nai
Presidente da Associação de Moradores do Paquetá
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Enquanto eu estiver falando e andando, eu estou aqui de mãos dadas.
Jô
Moradora e liderança do Paquetá
Na mídia
Espaço reservado para as matérias que saírem na imprensa (a subir).
Próximo caso
